segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

CÁRCERE SOCIAL


                                Foto: Francisco França - Jornal da Paraíba


Qual é a primeira palavra que tem vem à cabeça ao ver essa cena? Que tipo de sentimento ela desperta? Há alguns que vão dizer que não é novidade e já apareceu em várias reportagens. Não choca mais. Muita gente nem liga, essa é a verdade! Sabemos que os presídios brasileiros são, em sua maioria, um depósito de vidas desgraçadas onde não há mais vagas, mas elas aparecem assim mesmo. Tem de aparecer! A foto acima é do Penitenciária Flósculo da Nóbrega, em João Pessoa, o famigerado "Presídio do Roger". Mas poderia ser em qualquer lugar, pois o retrato do Sistema Penitenciário no Brasil é o resultado do enxugamento de gelo que é a Segurança Pública. 

E agora eu vou começar a explicar por quê. No nosso país, segundo pesquisa da Academia de Letras do Brasil, os estados brasileiros gastam por ano, em média,  R$ 21.000,00 (vinte e um mil reais) com um preso. Isso é NOVE vezes mais do que é gasto com um aluno do ensino médio brasileiro anualmente, que é apenas de R$ 2.300,00 (dois mil e trezentos reais). 

Ou seja, quando você investe mais nas consequências do que na raiz de um problema, não raro ele permanecerá causando grandes tormentos. Se uma lógica até matemática funcionasse, os investimentos seriam na linha inversa, onde o estudante seria valorizado com boas escolas desde cedo em tempo integral. Isso daria a chance de um menino não ir para as ruas pedir dinheiro no sinal e se misturar com quem já está nas drogas e no crime. As estatísticas mostrariam, como acontece em países mais sérios, que essa criança teria uma projeção de alcançar uma profissão, de formar uma família e viver longe das grades de uma cadeia. E com menos gente encarcerada, os gastos com o Sistema Prisional seriam bem menores, sobrando dinheiro, inclusive para dotar essas instituições de melhor infraestrutura, segurança, tecnologia e pessoal qualificado para o trabalho.

Conversando com os policiais durante as reportagens, muitos relatam, em conversa fora do ar, que trabalham sabendo que colocam a vida em risco em vão. Eles têm a consciência de que a lei vai deixar poucos na prisão por muito tempo. E que amanhã ou depois vão se topar com o mesmo criminoso em um esquina dessas ainda mais revoltado. A tão aclamada "Ressocialização" já não chega a ser nem mais uma utopia. É um conceito que parece ter morrido nas páginas amarelas dos livros empedernidos de Sociologia.

Então, quer dizer que a Segurança Pública gasta com viaturas, manutenção dos prédios, salários, combustível, capacitação, armas, munições e outras necessidades para quê? Só para fingir que estamos seguros? Só sei que não estamos! Os presídios estão cheios demais e as ruas cheias demais de bandidos e o Estado Brasileiro com resoluções de menos, pois enxuga o gelo da Insegurança da Nação amontoando vidas em uma penitenciária. E desse jeito não conseguirá enxugar uma lágrima sequer de quem é vítima da violência. Assim, é preciso refletir e cobrar algo diferente, pois essa imagem é como um espelho da nossa sociedade. Nela, de uma forma ou de outra, todos somos detentos.